FOLHA
DE SP - 07/02/12 - Eliane Cantanhêde
BRASÍLIA
- Na Bahia, o governador Jaques Wagner (PT) partiu para o confronto com
policiais em greve, chamou o Exército e bateu o pé mesmo diante dos cadáveres
que se amontoam por falta de segurança.
Em
Brasília, o governo federal comemora alegremente o sucesso dos leilões de
privatização dos aeroportos da própria capital, de Guarulhos e de Campinas, com
resultado de R$ 24,5 bilhões, bem acima das expectativas.
Indaga-se:
por que o PT condenou tão acidamente a repressão do governo do PFL-DEM a um
movimento semelhante na Bahia em 2001? E por que não só criticou ferrenhamente
as privatizações do governo FHC como as usou contra os adversários nas
campanhas de 2002, 2006 e 2010?
Ou as
greves dos policiais na era DEM eram legítimas e na era PT passaram a ser
ilegítimas, ou o PT tem um discurso na oposição e uma prática na situação.
Ou... o PT mudou.
Ou as
privatizações eram ruins e agora são boas para o país, ou o PT de Lula e agora
de Dilma aderiu ao vale-tudo eleitoral e mentiu, ironizou e foi sarcástico
contra uma política que não apenas aprovava como agora aplica, feliz da vida.
Durante
três campanhas seguidas, o partido recorreu ao mesmo discurso, atribuindo aos
adversários tucanos a intenção até de privatizar o BB, a CEF, a Petrobras e a
mãe de todos os eleitores. Era o PT antiprivatização versus o PSDB
privatizante, o PT patriótico versus o PSDB impatriótico.
E
agora, qual o discurso? Dilma e Lula deveriam pedir desculpas: ou mentiram aos
eleitores ou estavam errados e agora reconhecem que greve de policiais era e é
inadmissível e que a política de privatizações do governo adversário era e é
correta. Suspeita-se que não vão fazer nem uma coisa nem outra. Vão deixar pra
lá, como se nada tivesse acontecido.
