quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Quem te viu, quem te vê



Jornal Zero Hora, página10, 01.02.2012


"Quem te viu, quem te vê


No tempo em que era oposição, bastava meio indício para transformar qualquer adversário em culpado. O PT acusava, julgava e condenava na tribuna ou na mídia. Os deputados petistas transformavam as CPIs em palcos de exposição de seus desafetos, faziam inquisições destruidoras, carimbavam os acusados com rótulos difíceis de remover. Quem passou pela CPI do Detran ou assistiu às sessões pela TV Assembleia sabe exatamente como os deputados petistas tratavam os que eram suspeitos de alguma coisa ou apareciam, mesmo sem falas comprometedoras, em alguma gravação da Polícia Federal.



Passou-se o tempo, o PT está no governo e tudo mudou. Com aval do Palácio Piratini, a Secretaria de Infraestrutura não vai divulgar os nomes dos 17 servidores (ou ex-servidores) que figuram no relatório da comissão processante como possíveis envolvidos em irregularidades. A ideia é encaminhar o relatório ao Ministério Público, que, se achar correto, poderá divulgar a lista, diz um dos principais assessores do governador. Até lá – a menos que alguma providência secreta tenha sido adotada –, continuarão nos cargos.


O que diriam os deputados petistas se Yeda Crusius tivesse determinado segredo sobre o relatório da comissão de sindicância que investigou irregularidades no Detran? Registre-se que o relatório foi divulgado sem ressalvas, em junho de 2008. Zero Hora apresentou as conclusões da comissão com o título “Estado responsabiliza 47 por envolvimento em desvio”.


A comissão que investigou irregularidades no Daer é integrada por funcionários públicos qualificados: procuradores, membros da Contadoria e Auditoria-Geral do Estado, delegados e funcionários da Secretaria de Infraestrutura. O grupo fez seu trabalho, a procuradora Adriana Krieger se esmerou para apresentar um relatório consistente, mas o governo, que em 2011 conseguiu abortar uma CPI, fez a opção política de proteger os incluídos no relatório. É um novo jeito de lidar com suspeitas de irregularidades."