Artigo do senador Aécio Neves (MG), publicado na
edição dessa segunda-feira (7) do jornal Folha de S. Paulo
Eterno país do futuro, o Brasil já pode comemorar
o fato de ter deixado de ser promessa num dos campos mais relevantes da
atualidade: a internet.
O site Social Bakers nos informa que somos a
segunda nação com mais usuários no Facebook, com mais de 46 milhões de perfis,
atrás apenas dos EUA. Praticamente um em cada quatro brasileiros está na mídia
social de maior expressão nos dias de hoje.
Quando ainda nem se usava amplamente a expressão
“redes sociais”, o Brasil já dividia a liderança do Orkut com a Índia. Em
vários momentos da última década, as pesquisas Ibope-Nielsen mostraram uma
liderança persistente dos brasileiros em tempo médio de navegação, à frente de
internautas dos EUA, do Reino Unido, do Japão, da França e da Alemanha, entre
outros.
Um dos maiores fenômenos da breve história do
YouTube teve um inusitado colorido verde-amarelo e ainda ecoa. Sem entrar no
mérito dos que gostam e dos que não gostam do gênero, não há como ignorar o
feito de Michel Teló, que bombou entre os videoclips mais vistos planeta afora.
Polêmicas à parte, o fenômeno confirmou a existência de imensa e promissora
janela de oportunidades para os brasileiros.
A grande vantagem aqui é que nada disso até agora
dependeu do governo federal. Muito pelo contrário. Toda essa estimulante
performance se dá a despeito de uma banda larga ruim e cara, que costuma nos
empurrar para posições sofríveis nos rankings de qualidade tecnológica.
A velocidade com que se multiplicaram os
celulares, resultado da correta privatização do sistema Telebrás, nos anos 90,
está a exigir mais determinação na democratização e na melhoria dos serviços de
banda larga.
Há um largo horizonte de crescimento pela frente.
Com uma múltipla teia de conexões em todos os continentes, a internet pode ser
uma plataforma importante para que empresas brasileiras se renovem e encontrem
novos mercados para seus produtos.
Isso sem contar as muitas oportunidades na era da
Copa e das Olimpíadas para a marca Brasil. O país do café, do Carnaval e do
futebol pode abrir, assim, outras promissoras fronteiras de posicionamento
internacional.
No campo interno, em que pese muitas vezes a
ocorrência de um organizado enfrentamento político de baixíssimo nível, há
inquestionáveis ganhos com a disseminação de informação e a construção de um
ambiente favorável ao debate sobre as grandes causas e mazelas nacionais.
Tal como em outras partes do mundo, aos poucos a
internet espontaneamente se movimenta para redescobrir o país real, dos enormes
passivos sociais e da corrupção institucionalizada. Contra toda massiva
propaganda oficial, agora basta apenas um click.
