A educação é a
principal ferramenta para a ascensão profissional e social dos cidadãos. Não
importam as circunstâncias econômicas, as pessoas com qualificação saem na
frente na hora de conseguir o primeiro emprego ou, se já incluídas no mercado
de trabalho, obter promoções nas empresas em que atuam.
No Brasil,
contudo, apenas 11% da população em idade adulta têm nível superior. É um
número bem abaixo do exibido por países como Canadá, Estados Unidos e Chile,
nos quais esse índice chega a 50%, 41% e 24%, respectivamente.
Para ajudar a
reverter esse quadro, o governo do Estado de São Paulo abre um novo caminho na
expansão do ensino superior público, gratuito e de qualidade, por meio do
projeto de lei que, enviado nesta quarta-feira à Assembleia Legislativa, cria a
quarta universidade estadual paulista: a Fundação Univesp -Universidade Virtual
do Estado de São Paulo.
A Univesp
permitirá a democratização do ensino superior numa escala quantitativa e
qualitativa que se pode considerar revolucionária. Isso porque associará o centro
de excelência educacional do país, localizado em São Paulo, às mais modernas
tecnologias de educação a distância, abrindo oportunidades a milhares de jovens
que não conseguem frequentar uma universidade porque habitam os rincões do
Estado ou porque trabalham em horários incompatíveis com as aulas presenciais
tradicionais.
Praticamente sem
sair de casa, ou em polos próximos à sua vizinhança, dotados de equipamentos
administrados pela instituição ou fornecidos gratuitamente, os alunos da
Universidade Virtual do Estado de São Paulo acompanharão aulas interativas,
executarão suas tarefas e apresentarão os seus projetos em cursos
semipresenciais.
Para frequentar
os cursos, o estudante não precisará se deslocar de sua casa, a não ser em
determinadas ocasiões. A maior parte das atividades se dará nos ambientes da
internet, com o apoio da Univesp TV, emissora em operação desde 2009. Uma
parcela das atividades terá lugar em salas de aula ou laboratórios práticos.
A Univesp coloca
a educação de São Paulo na vanguarda da era do conhecimento tecnológico. O
ensino superior a distância, conceito que remonta ao final dos anos 1970, com o
surgimento da Open University, na Inglaterra, vem ganhando um impulso
extraordinário desde o início deste século, graças à popularização da internet.
A estimativa é
que, até o final desta década, metade dos cursos universitários oferecidos no
mundo será ministrada por intermédio da rede de computadores.
Cientes de que
tecnologia sozinha não é garantia efetiva de qualidade, todas as atividades
serão sempre acompanhadas por orientadores capacitados.
Mais do que
isso: a Univesp terá projetos conjuntos com a USP -única instituição da América
Latina entre as 70 melhores do mundo na lista da Times Higher Education -, com
a Unesp, com a Unicamp e com o Centro Paula Souza, responsável pela maior rede
estadual de ensino técnico e tecnológico do país.
Os cursos
oferecidos serão de importância fundamental para o desenvolvimento do Estado e
do país. Engenharia, por exemplo -uma área com déficit de 20 mil profissionais
por ano-, oferecerá graduações em engenharia da produção e engenharia da
computação, entre outras opções.
A Universidade
Virtual do Estado de São Paulo também contará com programas de pós-graduação e
de extensão cultural, como os de inglês e espanhol.
Trata-se, sem
dúvida, de um passo gigantesco na política de aumento das vagas de graduação
nas universidades e faculdades estaduais. Um país se faz com homens e livros,
como disse o escritor Monteiro Lobato. São Paulo agora prova que se pode ir
além deste conceito, fazendo uso das novas tecnologias na construção de uma
educação superior verdadeiramente democrática.
GERALDO ALCKMIN,
59, médico, é governador do Estado de São Paulo
Artigo publicado
na Folha de S. Paulo
